Enfrentando o monstro de frente

Todo programador sabe que interface é uma parte vital de qualquer projeto, para qualquer público. Ela é, muitas vezes, a diferença entre um produto de sucesso e outro fracassado.

Na verdade, uma boa interface (user interface, UI, como chamam) só surge quando se preocupa em como ela será usada e como irá se comunicar com o usuário: gerar a experiência do usuário (user experience, UX, pros técnicos). Em se tratando de experiência do usuário, três empresas tiram isso de letra:

  • A Mozilla sempre preza pela personalização, você sentir que aquele programa foi feito para você. Isso cria uma aproximação do usuário com o software (e com a marca posteriormente), faz ele se sentir em casa e confortável. No Firefox, por exemplo, toda média/grande mudança no layout vem com uma opção de desativa-la (abas no topo, sites recentes na nova aba).
  • A Google sempre preza pelo não obstrução, seguindo seu slogan “não seja mau” (“don‘t be evil no original) nos seus produtos (GMail, GDocs, etc): o programa não gera alertas desnecessários ou alarmantes, ele sempre oferece um desfazer. Se eu excluir meu e-mail, ele simplesmente é excluído e uma pequena mensagem aparece no topo com a opção de desfazer. Por outro lado, a Google quase sempre impõe seus novos layouts e não permite tanta personalização.
  • Apple, pela intuitividade. Sempre buscam usar botões claros e representados por ícones autoexplicativos, além de sempre relacionar o tecnológico virtual com o simples e real: bloco de notas com fundo de cadernos, visualização de álbuns no iTunes como se fosse um disco, etc.

O ponto é que nunca pensei nesses pontos nos meus projetos, mas vendo agora, foi um grande erro. A central de músicas (player de música), por exemplo, tem uma abordagem que eu não vi ainda em nenhum outro player (analisa como o usuário ouve as músicas para determinar quais ele mais gosta e então reagir a isso, tocando-as mais vezes). Mas a interface mata! Não só questão de ser bonito. Não é intuitivo, não cria uma relação fluída com o usuário.

Então juntei coragem, tempo e uma ideia de abril de 2012: fazer um editor de texto para a HP50g (calculadora gráfica da HP). Fiz alguns experimentos com algoritmos e depois pensei em quem irá usar o programa, pra que e como otimizar sua experiência.
Cheguei num resultado impressionante pra mim, que nunca gostei muito da parte de interface (como a maioria dos programadores: não sou designer!). Pode não ser impressionante comparado com aplicações do mercado, mas pra mim foi uma grande vitória 🙂

Interface atual do meu projeto recente (ainda não lançado)

Interface atual do meu projeto recente (ainda não lançado)

Esse projeto ainda não está pronto e a ideia aqui não é falar dele, deixo isso pra depois. Mas o código atual já está disponível no GitHub

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